SAY THE WORD AND YOU'LL BE FREE

2009/08/15

Teorema

Ontem fui ao Teorema, no Estúdio Nave, São Paulo. O Teorema é um lance interessante que reúne novas criações em dança e teoria. Funciona assim: Acontecem algumas apresentação e, logo em seguida, os teóricos entram em cena, propõem seus teoremas e o público debate.

As apresentações foram de Thiago Costa, Silvia Nogueira e Clara Gouvea. Gaby Imparato cuidou do debate. Ela propôs uma relação forte entre a criação em dança e uma busca do sistema corpo por homeostase - numa visão sistêmica de universo, o corpo reage às informações que lhe chegam e a dança é a reação a uma informação muito improvável e desestabilizante. Surgiram preocupações na platéia sobre essa função terapeutica do dançar, porque corre-se o risco da idéia toda morrer no intérprete e nunca atingir o público.

Fiquei morrendo de vontade de falar também, porque essa é uma preocupação que já me ocorreu também, mas como sou muito encabulado e penso trocentas mil vezes antes de falar, só fui levantar a mão quando o Nave já tinha que fechar. Acabei não falando. Então vou dizer aqui o que eu teria dito lá.

Realmente o bailarino costuma estar envolto em uma tormenta de sentimentos que o público dificilmente alcança, e eu muitas vezes gostaria que ele estivesse um pouco mais preocupado em, para além de simplesmente se expor, mostrar algo para mim.

Mesmo assim, percebo que minha experiência como espectador de dança me torna um ser-humano mais refinado, mais sensível e disposto a entender a dor do outro. O homem urbano de hoje tem uma recusa terrível para dar atenção a coisas que não lhe dizem respeito diretamente, só vale a pena aquilo que se encaixa no narcisismo de cada um. Isso faz do mundo um lugar pior.

Então assistir dança faz do mundo um lugar melhor. E mais bonito.

2 comentários:

  1. Henrique, lendo sua postagem lembrei desta citação:

    "O sujeito da experiência é um sujeito “ex-posto”. Do ponto de vista da experiência, o importante
    não é nem a posição (nossa maneira de pormos), nem
    a “o-posição” (nossa maneira de opormos), nem a “imposição”
    (nossa maneira de impormos), nem a “proposição”
    (nossa maneira de propormos), mas a “exposição”, nossa maneira de “ex-pormos”, com tudo o que isso tem de vulnerabilidade e de risco. Por isso é
    incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe, ou se impõe, ou se propõe, mas não se “ex-põe”. É incapaz de experiência aquele a quem nada lhe passa, a quem nada lhe acontece, a quem nada lhe sucede, a quem nada o toca, nada lhe chega, nada o afeta, a quem nada o ameaça, a quem nada ocorre.
    Notas sobre a experiência e o saber de
    experiência*
    Jorge Larrosa Bondia

    Acredito que a experiência acontece de ambas as partes, intérprete e público. Eu também me questiono sobre o ato de estar compartilhando uma idéia na cena, que muitas vezes parece ser tão individual. Mas que se propoga em espectadores que se abrem para a experiência, que não se portam como receptores imóveis. Por outro lado será que o intérprete cria redes conectivas com o espectador, propõe diálogo, ou apenas apresenta a idéia?

    Rose Rocha

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  2. Mas ao mesmo tempo sempre uma dúvida: Será que se racionaliza demais?

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