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2009/04/15

Trípticos

Levo adiante a idéia de que gosto de juntar e relacionar coisas. Me veio logo à memória a polêmica exposição de dípticos e trípticos de Mapplethorpe, em que se relacionavam partes do corpo humano e de flores, com muita beleza e sutileza (as obras eram aprte de um exposição, não encontrei nenhum exemplar dos dípticos, apenas imagens separadas). Pensnando um pouco nesse tipo de obra, me lembrei do tríptico do Jardim das Delícias, de Bosch:

Paraíso, terra e infero, nesta ordem. A construção de sentido é inteiramente diferente do que se tivéssemos, aí, três pinturas separadas. Eisenstein, em seus tratados sobre montagem cinematográfica, já dizia que em qualquer declaração e em qualquer forma, a justaposição de elementos sempre significa mais do que a simples soma dos mesmos. A imagem em movimento contém em si incontáveis imagens em sucessão, mas imaginemos um tríptico de imagens em movimento...

Achei, curiosamente, num blog de outro artista do Vitruvian Woman Video Project
, um registro de tríptico em vídeo. Veja El Gran Tirador.

... É provável que eu siga nesta direção. Debray [PDF] já dizia em seu Curso de Midiologia Geral que a televisão e a imagem-vídeo tendem a obliterar o passado e o futuro, concentrando-se sempre num presente sem causa nem consequência:

"... a fabricação industrial do evento em tempo real pela imagem-som analógica modifica, como veremos, nossa relação ao passado (desvalorização do monumento) e ao futuro (evanescência das posteridades). Da mesma forma, suscita um espaço imaginário, um meio vivenciado diferente daquele que era ordenado pelas leis da perspectiva técnica..."

Um vídeo-tríptico tem possibilidades de explorar esta idéia.

Aliás, a idéia de passado, presente e futuro em tríptico me lembra muito uma forma de arte muito em voga na internet:

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