SAY THE WORD AND YOU'LL BE FREE

2009/04/29

Debray e a Midiologia

Tenho citado aqui trechos e pensamentos de Debray, principalmente do Curso de Midiologia Geral e do Acreditar, Ver, Fazer. Tenho lido e discutido o Curso em um grupo de estudos, isto tem sido muito proveitoso.

A Midiologia é uma disciplina que pensa a difusão das idéias em um coletivo, tomando como fundamental para esses processos de difusão a materialidade. A pergunta fundamental é: Como uma idéia se transforma em força? Como uma palavra toma corpo e passa a agir sobre os corpos?

Até Deus precisou encarnar o Verbo em Cristo, Homem e Deus, Carne e Espírito, para enfim agir sobre os corações dos homens.

O que me encanta, acima de tudo, nesta Disciplina, é que ela é uma disciplina militante. Debray diz em Manifesto:

Médium(...)Para lutar contra as violações dos tempos e gerações. Para restaurar os laços entre o conhecimento da mente e das artes da mão; entre os nossas nostalgias, anseios e prospectos; entre a nossa cultura e tecnologia.

E até então eu achava que pensar a arte era puro entretenimento. Agora não penso mais. Inclusive retroativamente.

Portanto quero materializar uma idéia num trabalho Multimídia, para que então um Corpo possa agir sobre os Corpos.

2 comentários:

  1. ... um dos pontos forte do Acreditar, no meu modo de ver e como você mesmo disse ... é que se pode muito bem tratar das coisas com seriedade utilizando metáforas ... assim, acredito que as representações, mesmo àquelas produzidas através da individualidade em oposição a coletividade, e definidoras de subjetividades, são sempre imagens, metáforas e diagramas. Sabendo ou não, identificando ou não, admitindo ou não construímos modelos e buscamos organizar os pensamentos através de padrões e de imagens mentais.
    Enfim, somos frutos da época em que vivemos. É o Zeitgeist. E, hoje, o processo de interação do qual você fala, não é novo, nem é próprio dos meios digitais. Interagimos ao interpretar um quadro (estático), só não sei se podemos abdicar das imagens, para ver o mundo. Sejam elas mentais, reais ou até mesmo, geradas pelas tecnologias digitais, portanto virtuais e atualizadas no sentido que Pierre Levy apresentou.
    Gosto de pensar assim como o Escher. Ele foi capaz de desconstruir os espaços de representação mentais da época em que viveu, construiu com sua obra uma representação topológica puramente matemática, sem conhecer matemática profundamente e sem saber que estava atingindo a própria forma de representação da ciência de sua época. Com ele, foi possível pensar novas formas de representação do mundo e da ciência. Veja um artigo que escrevi sobre ele: De Escher aos Signos Digitais: diálogos imagéticos ... está no endereço http://www.hrenatoh.net/textos/Arte_Mat_Psi_15.pdf.

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