A minha dificuldade para este trabalho reside em que, na atual configuração da minha vida e das coisas que eu penso sobre a vida, tenho vontade de realizar uma obra que não só seja bonita e interessante, mas que incite à reflexão. Eu sinceramente gostaria que as pessoas encarassem a vida de um jeito um pouco diferente. É uma busca que eu mesmo faço: tentar viver com mais calma, mais gentileza e elegância, mais amor. Não um amor pessoal por todas as pessoas, mas um amor pela vida, pela humanidade, pela natureza.
O que eu vejo é que tudo é muito voltado estritamente para o mercado e o consumo. As noções de sucesso e de vida boa mais difundidas estão sempre em ligação inexorável com o sucesso financeiro. A própria educação, no fim das contas, é voltada para isso. Me irrita um pouco ver, de dentro de uma universidade pública, tantos professores falando abertamente que sua função é formar os alunos para que entrem no mercado.
Eu penso que a função da educação pública é, em última instância, tornar o país um lugar melhor. Só que a própria idéia de lugar melhor como sendo um país economicamente desenvolvido e produtivo é muito distorcida. O lugar melhor, pra mim, é uma práia. Onde a atividade econômica mais bem sucedida é a de vendedor de côco gelado.
De modo que, se um dia eu me encontrar trabalhando 60 horas por semana num cargo de ponta de uma grande empresa, não importanto o tamanho do meu salário, pensar-me-ei um grande fracasso na vida.
O ponto central é que a experiência urbana está repleta de ódio e violência, e a mim só interessa viver com amor e paz. Isto é fruto de uma longa reflexão que faço ao longo da minha vida, e que está longe de ser concluída, mas eu sei neste ponto que vivo mais feliz desde que resolvi ter o amor como princípio.
São coisas que eu quero compartilhar. Ainda não sei muito bem como.
2009/05/05
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